domingo, agosto 15, 2010

Mas e a vida? E a vida o que é?

Certa vez ouvi alguém dizer que tinha muita experiência de vida, pois já havia passado por inúmeras situações que quase ninguém passou.. Quando perguntei que situações foram essas, ele já foi logo falando, enchendo o peito de orgulho por suas façanhas inúteis, do tipo micareta não sei onde, litros e mais litros de bebedeiras sem freios, drogas de todo e qualquer tipo e ainda fechou com chave de "ouro" que já presenciou Ivete Sangalo drogada, em um camarote (ou foi em um Hotel?), em algum local que ele também estava muito louco.

Eu parei, pensei, respirei, pensei novamente, só para garantir e disse: Você chama isso de experiência de vida?

O que levar da vida? Essa situação, entre outras, sempre me faz pensar o que é que eu devo, de certa forma, aprender dessa vida. Aprender sobre o meu eu, quem eu sou, o que estou fazendo aqui, o que realmente me faz feliz e qual o propósito de tudo o que eu digo, penso, faço e reflito. E principalmente o meu papel na vida das pessoas. Será que a minha atuação realmente interfere na vida de alguém ou eu sou apenas alguém intocável (ou até mesmo invisível)?

Acredito que nossas experiências de vida, nossos sofrimentos, nossas angústias, nossas alegrias, fazem com que a gente se adapte sempre às novas situações, indo sempre para frente reavaliando nossos erros e aprendendo com eles, assim como também nos orgulhando dos nossos acertos. Mas o que realmente importa para nossa alma? O que realmente deixa a gente feliz e rindo a toa, sozinho, sem nenhuma platéia? Aquela felicidade, aquele sorrisinho rápido que vem acompanhado com um silencioso "Rum".. O riso não-falso, que vem sem a gente conseguir conter e que depois pensamos "É.. isso realmente me faz bem.. e o melhor: não preciso sair mostrando a todo mundo que estou rindo nesse exato momento".

Hoje posso dizer que a intensidade é sempre a melhor opção. Mas aquela intensidade responsável sabe? Aquela intensidade que não espalha mal a ninguém. Aquela intensidade misturada com naturalidade.. Sabe? Hoje posso dizer que prefiro uma conversa informal agradável do que um diálogo onde você quer mostrar que sabe demais (e na maioria das vezes, nem interessa muito ao outro). Hoje posso dizer que escolho sentar na calçada com minha família e conversar sobre a reforma da casa e o quadro que combina mais comigo para colocar no meu quarto, do que sair pela rua, igual a uma marionete, indo pra onde todo mundo vai, vestindo aquilo que todo mundo usa, e dançando igual a como todo mundo dança. Hoje posso dizer que escolho assistir um filme cheio de besteiras, do que ver aquele que "alguém" considerou o "filme do ano" e ficar depois discutindo coisas óbvias. Hoje eu prefiro o não-óbvio.

Hoje eu prefiro conversar sobre o que sou e sobre o que eu penso e escutar os outros fazendo o mesmo, do que conversar sobre teorias já prontas, utilizando de palavras e frase de pessoas inteligentes. Eu admiro as pessoas inteligentes e suas teorias registradas.. Mas hoje posso dizer que não quero ser aquela pessoa que apenas repete o que esse alguém inteligente decretou. Quero e posso concordar com eles. Mas quero antes de tudo saber das minhas idéias mais do que eles supõem saber sobre mim. Afinal, quem sabe mais de mim, do que eu mesma? Hoje posso dizer que não quero estar incluída nas teorias generalizadas que alguém criou.

Mas ao mesmo tempo, quando escolho o não-óbvio, não abomino o comum. Quero poder também ter a liberdade de aderir à mesmice, quando eu quiser.. E principalmente poder rir disso, aproveitar, me divertir, sabendo que eu escolhi sozinha, porque no momento achei que deveria. Liberdade total.

Quero gritar e explodir o que eu sou, e tudo que eu senti até hoje em minha vida, que me levou a isso tudo: essa mistura de pensamentos loucos-sensatos.. E finalmente descobrir o que me faz bem, por completo, sem depender de ninguém para notar que eu estou feliz. Hoje posso dizer que quero que as pessoas que eu amo sejam sempre acréscimos na minha vida, e não controladores do que eu devo fazer, sentir, falar, comer, amar, odiar.. Quero poder dizer que tenho medo de dormir no escuro, que sinto falta de ar quando estou ansiosa, que tenho cócegas incontroláveis nos pés, que às vezes vou dormir chorando.. e acordo chorando também, e que ao mesmo tempo dou gargalhadas fáceis, pois me divirto com muito pouco. Quero poder dizer que adoro fazer os outros rirem, não por querer ser o centro das atenções, e sim porque a alegria é contagiante, e arrepia! Quero poder dizer que não preciso de muito para me sentir completa.. E que as pessoas que eu conheci e que já se foram, de alguma forma, (assim como também as que ficam) são os principais professores de minha vida.

Não posso e nem quero me sentir intocável pelos meus próprios medos. Tudo isso e mais um pouco me faz ter a certeza de que a vida é uma experiência, e não que eu tenho essa tal experiência de vida.

10 comentários:

Lu disse...

Muito bom o texto.
Uma vez tb já me vi questionando uma pessoa sobre o que seria essa tal "experiência de vida".
E algum tempo depois eu percebi que experiência mesmo a gente só adquire depois que para, pensa no que viveu e em como isso fará diferença dali por diante.
Bjo.

Lu.

Anônimo disse...

Várias, várias coisas pra falar desse texto, betinha =]

Eu acordei hoje, exatamente hoje, pensando em escrever sobre o que você fala em um pedaço do seu texto. E irei, assim que o trabalho deixar. Mas deixa eu rapidamente pincelar umas coisas.

Experiências são absurdamente relativas. Interessam a uns, não interessam a outros. Hoje eu me esforço em não desprezar as que eu considero banais - simplesmente deixo que eles as dividam com os que as apreciam.

Nós vivemos num mundo onde o olhar nos olhos precisa, necessariamente, passar uma intenção. Por quê? Por que eu não posso simplesmente olhar quem passa nos olhos sem que a pessoa faça inferências sobre as minhas intenções? Nós devemos explicações a todo mundo, e não podemos nos dar ao luxo de encarar alguém que passa por nós - vai que a pessoa pensa que a gente tem segundas ou terceiras intenções, não é? Rum...

E, pra finalizar, queria só dizer que aprendemos na escola, desde cedo, que a ordem tende ao caos, e o caos tende à ordem. Se somos "iguais a todos" (a ordem), tendemos a querer mudar (o caos); mudamos, e agora somos diferente de todos (a nova ordem) e tendemos a querer ser iguais a alguns (o novo caos). E assim vai, sempre, sempre, sempre...

Beijos, e aguardo novos postos! =]

Thyago.

Anônimo disse...

Sempre uma boa leitura.

Juliana Damásio disse...

Onde assino?

ORD disse...

Legal! Com certeza, é mais interessante viver a vida do que tentar explicá-la. Passou tanto tempo e essa manhã começou diferente. Parece até que você ja sabe quem sou. E parece que só você sabe... hehehe
:)
Se cuide. Um grande beijo!

Roberta Feitosa disse...

Eu juro que tento saber quem você é, anônimo, mas não vem nada em minha cabecinha loira. Dá uma dica :P Beijos

ORD disse...

Robertinha!
Conhecer de fato não conhece, mas saber quem é, eu acho que você ja sabe. Não pense que você é a única cabecinha loira desse mundo, outras podem ter te visitado recentemnente.hehehe
Se eu deixasse de assinar com o 'R', ficaria mais fácil, mas também ficaraia muito de graça...hehehe
Beijo!

P.S: Faz uma forcinha...

Roberta Feitosa disse...

Bom, quando eu penso que pode ser alguém, tento associar com sua assinatura, e desisto!

Não sei messsssmo! kkkkkkkkkkk
Dá mais umas dicas, ORD :P

ORD disse...

procure nas visitas recentes

ORD disse...

procure nas visitas recentes