sexta-feira, dezembro 12, 2008

Palavras

Qual seria o texto perfeito?

Eventualmente, quando dou de cara com textos por aí, paro pra pensar no que possivelmente o autor pensou ou se inspirou para começá-lo... E quase sempre me deparo com frases que eu gostaria de ter pensando e escrito antes dele. Sábias palavras.
Acredito que o certo bom gosto de alguns autores por palavras refinadas e autênticas faz com que a inveja, de uma forma admirável, tome conta de quem gosta de se meter à escrever.

Não tenho o costume de ler poemas e afins. Mesmo achando que qualquer idéia livre passada pro "papel" é bem vista como poesia. Porém, de uma forma simplista e concisa, não me atrai textos irreais, que falam de um mundo que já não existe mais, ou que talvez nunca tenha existido.

Sem essa de Oh, o amor é perfeito e sublime. Qual é?

Pessimista? Negativista? Restritiva? Mal Amada? Mal Comida?

Vejamos...
O amor surge! Tudo é lindo e gracioso. É um tal de Não vivo sem você pra cá, vou morrer se você me deixar, prá lá. Tu és o amor de minha vida, não existe alguém igual a ti! Bobagem.
Mas se pararmos para pensar, a verdade é que sim, eu vivo sem você e não, não vou morrer se você me deixar. Você pode até ser o amor de minha vida, mas só hoje. Amanhã já existirá alguém igual ou melhor que ti. Fato!

Porque será que toda essa projeção obrigatória tem que existir? Alguém já foi meu, hoje é teu e amanhã será de outrem. E sempre é isso: já tive alguém, hoje com outrem, e amanhã serei de ninguém.

Não tenho dúvida que por mais que estejamos com alguém, sempre haverá outra pessoa que, em determinado quesito, será melhor. Essa procura infinita vai parar onde? Na perfeição? Ou na desilusão?

Voltando ao não-apreço pelos poemas irreais, tenho visto que o meu gostar infinito e particular por palavras herméticas rodeadas de questionamentos meus, surge principalmente dessa idéia peculiar. Pra mim, indiscutivelmente, tudo mudou.
Não existe a menor possiblidade de ler um texto com palavras perfeitas e otimistas, e sair por ai dizendo que a vida é justa e bela. Não mesmo.

Com certeza, em um lindo dia ensolarado, após acordar com bom humor de graça, ouvindo aquela música preferida, daquela voz que acalma, sim, provavelmente, se for necessário me expressar na escrita, o resultado pode até ser um poema-de-olhos-fechados-para-a-realidade.
Mas, com tudo que a gente costuma ver por ai, sentir por ai, ouvir por ai, prefiro fazer uso de palavras objetivas, reflexivas, voltadas para as confusões de minha mente inquieta, mas que sim, me bastam. Mecanismo de defesa? Pode ser.

Enquanto eu manter minha calma, e aquela cara de sossego que só a aflição me proporciona, tudo isso me basta. Escrever é muito bom, seja lá com qual estado de espírito for.

3 comentários:

Mônica Assi disse...

sábias palavras minha amiga.. a gente precisa perceber que não podemos nos projetar em ninguém para sermos felizes, e apenas em nós mesmos.. é fazer o bem para atrair o bem.. e isso tem dado resultado.. pelo menos para mim.
beijos! amo vc!

Fahad M. Aljarboua disse...

É concordo em partes com o que você falou. Mas acho que não dá pra negar o quanto é bom acordar e esquecer um pouco da realidade, "acordar com bom humor de graça, ouvindo aquela música preferida, daquela voz que acalma", é algo mágico, e não adianta discutir.

Quanto a escrever, e o que escrever, bem. Acredito que escrever é estado de espírito, tudo depende daquilo que se está sentindo quando escreve, é por isso que toda escrita é passional, quem escreve nunca é imparcial. Não mesmo.

Realmente um fã novo. Parabéns senhorita, textos brilhantes. :)

Anônimo disse...

Vc escrevee divinamentee bem!
Parabens!!